A GTZ no Brasil

Autora: Renata Curcio Valente

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O objetivo deste trabalho não é o de ser parte integrante da produção “oficial” do desenvolvimento. Ao contrário, o livro se propõe a contribuir para uma reflexão crítica a respeito do tema, a partir da etnografia de uma agência de cooperação técnica alemã no Brasil. Procura-se investigar as práticas administrativas adotadas pela GTZ (agora GIZ, Cooperação Técnica Alemã) no Brasil, analisando como se dão as articulações entre as redes sociais locais no campo das políticas governamentais brasileiras para meio ambiente e populações indígenas nos anos 90, um dos eixos que tem orientado a atuação da GTZ no Brasil, que gradualmente foi deixando de lado os projetos técnicos, tecnológicos e agrícolas que guiou os primeiros anos de sua atuação.

Nesta pesquisa, se entende cooperação internacional como uma política de Estados Nacionais formulada para uma determinada forma de atuação em territórios estrangeiros, que garante a este Estado a projeção internacional de uma imagem, preferencialmente positiva. Esta política institui um corpo de profissionais e um conjunto de práticas rotineiras referentes a um determinado conhecimento de Estado, não somente como intervenções esporádicas ou excepcionais, quando no caso de ajuda humanitária para vítimas de catástrofes naturais, mas como dinâmica cotidiana de administração de Estados sobre territórios e populações. No entanto, apesar do fato de ser esta definição aplicável às práticas coloniais, a cooperação internacional para o desenvolvimento não se configura a partir da mesma lógica. As práticas de intervenção adotadas por meio das políticas de cooperação internacional têm o consentimento, por meio de procedimentos diplomáticos, caracterizando-se como uma prática legítima, cuja garantia deriva da produção ou da formulação de um problema localizado como global, justificando a articulação que ultrapassa as instâncias administrativas domésticas.

Veja aqui o sumário desse livro.