Dos autos da cova rasa
A identificação de corpos não-identificados no Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro, 1942-1960

Autora: Letícia Carvalho de Mesquita Ferreira

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Dos Autos da Cova Rasa parte da premissa de que os corpos não-identificados encontrados nos domínios do Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro, comumente chamado de “indigentes”, ofereceram-se como espaços discursivos em que foi definida, entre outras, uma verdade específica ao seu respeito: a verdade de sua própria identidade de não-identificados. A indigência pode ser encarada de modo apressado e em sua aparência como a constatação de uma falta, como se houvesse na realidade corpos essencialmente destituídos de identidade. Leticia Ferreira parte, no entanto, do princípio de que a não-identificação implica, ao contrário, um processo criador, de construção e atribuição de identidade. Em uma palavra, constitui-se em um processo de identificação no decurso do qual alguns cadáveres, e só alguns, tornam-se corpos não-identificados. Os cadáveres não-identificados são encarados no livro como corpos assujeitados e geridos por saberes e técnicas que tanto se propõem a administrá-los, quanto fazem por construí-los como tais. Tais saberes e técnicas são no livro objeto de análise, interrogação e reflexão.

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